sábado, 29 de setembro de 2012

Dátolo revela desconhecimento de regra e admite que pode deixar Inter

Contratado no início da temporada de 2012, o meia argentino Jesús Dátolo caiu nas graças do torcedor colorado logo no primeiro jogo com a camisa do Internacional. A partida de estreia foi diante do arquirrival Grêmio, que acabou empatado por 2 a 2, no Estádio Olímpico, pelo primeiro turno do Campeonato Gaúcho.

No primeiro chute que deu com a camisa vermelha, o argentino fez o seu primeiro gol. Tudo indicava que o tento seria um sinal dos deuses do futebol de que o novo reforço colorado seguiria os mesmos passos de Andrés D'Alessandro, atual ídolo do Inter que sempre teve sucesso em clássicos.

Contudo, o caminho de Dátolo não tem sido tão fácil no Estádio Beira-Rio. Até o momento foram 26 jogos, com 10 gols marcados. O meia passou dois meses se recuperando de uma cirurgia no púbis e, nos últimos confrontos, com as escalações de Guiñazu, D'Alessandro e Forlán, foi preterido.

A regra de no máximo três estrangeiros permitidos por partida no futebol brasileiro irrita Dátolo por impedir sua presença inclusive no banco de reservas, e ele admite que não conhecia esse detalhe quando foi contratado.

Com mais dois anos de contrato com o Inter, Dátolo pretende nos próximos dias definir o futuro junto à direção e admite que pode deixar o clube em 2013. Ao Terra, ele conta detalhes do que define como "momento difícil".

Confira a entrevista exclusiva com Dátolo:

Terra: Você é um jogador que conta com a admiração e o carinho da torcida do Inter, mas nos últimos jogos vem sobrando até das relações dos concentrados. Como você encara este momento?

Dátolo: Estou tranquilo, esperando o meu momento e a chance novamente de poder voltar a jogar. Um pouco nervoso e ansioso por não poder jogar, mas sou um profissional e respeito a situação do clube. Trato de estar concentrado e pensar no momento de poder voltar a jogar.

Terra: No último coletivo, você não treinou nem no time reserva, acabou trabalhando em separado. Isto é combinado já com o técnico Fernandão ou foi na hora?

Dátolo: Não tem nada a ver uma coisa com a outra. Acho que ele já tem um time e já sabe com quem vai contar. Não é uma coisa pessoal. Se me deixou fora do treinamento é uma decisão que só ele sabe. Eu não quero ser um problema nem nada, só quero jogar no Internacional e estar preparado para jogar. Sou um profissional e estou acostumado com esta situação.

Terra: Você já marcou dois gols em dois clássicos Gre-Nal, a torcida gosta muito de você...

Dátolo: Sim, e eu também gosto muito da torcida do Inter, é um carinho mútuo e especial. A decisão de sair da Europa para o Internacional foi muito difícil de assumir, mas tomei a decisão de voltar para o futebol sul-americano e escolhi o Inter porque senti uma paixão pelo clube e sua torcida.

Terra: Quando você foi contratado, o Inter já tinha três estrangeiros: Guiñazu, Bolatti e D'Alessandro. Você foi o quarto, e depois veio o Forlán. Isto não te preocupou na hora de assinar com o Inter?

Dátolo: Não, porque quando vim aqui, não sabia nada deste assunto de estrangeiros, e estou preocupado por não jogar. Eu quero jogar, desejo jogar pelo Inter por muitos anos. Entendo a situação, mas vai chegar um momento que vai chegar dezembro e, se seguir a mesma situação, vou conversar com a direção e ver o passo a seguir. Não posso ficar assim porque não me sinto útil.

Terra: Só para esclarecer, quando você veio acertar com o Inter, não sabia da limitação de estrangeiros por partida no Brasil?

Dátolo: Não, e sinceramente ninguém me falou disto.

Terra: E, se soubesse, teria assinado com o Inter ou mudado de ideia?

Dátolo: Não sei, teria pensado melhor, porque a decisão de jogar no Internacional foi minha.

Terra: Surgiu neste período alguma proposta ou sondagem para deixar o Inter?

Dátolo: Não, não chegou nada, e a minha cabeça está no Internacional. Como sempre, falo que quero permanecer no Internacional e que meu coração está aqui. Só que necessito jogar porque jogador que não joga perde valor por si mesmo. Precisa jogar para seguir com a carreira em todos os sentidos. Se não conseguir jogar até dezembro, eu vou sentar com a direção e definir o meu futuro. Eu quero jogar no Internacional, mas não posso jogar.

Terra: Como ficou a sua relação com Fernandão após ele te expulsar de um treino coletivo?

Dátolo: Eu estava no coletivo normal e cobrindo a bola, e aí ele me cobrou algo e chutei a bola longe. Agi errado, porque um profissional não deve fazer isto, mas estou muito nervoso, porque não consigo jogar. Estou bem e quero jogar no Internacional. Quando chega o momento da lista dos concentrados e não vem o meu nome, fico nervoso.

Terra: E o que os demais estrangeiros do grupo te falam? O que vocês conversam em relação a isso?

Dátolo: É uma situação complicada para nós, porque, quando jogava e o Bolatti ficava fora, eu ficava mal, porque ele também é um cara que joga muito bem. Eu, pessoalmente, ficava mal, porque ele também pode jogar e não jogava não por sua condição, mas pela situação dos estrangeiros.

Terra: Depois deste incidente com o Fernandão, vocês conversaram reservadamente?

Dátolo: Não, não tenho que falar nada. Eu acho que ele me compreende, sabe que é uma situação ruim para mim. Estou passando um momento de tristeza e ele sabe que eu não faço isto. Eu sou profissional e estou triste assim por não jogar. Da minha parte não ficou nenhum resquício em relação ao que aconteceu.
 

Fonte: Terra

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