segunda-feira, 20 de outubro de 2014

O time que mudou a minha vida

Prazer, meu nome é Jéssica Loures e eu sou a guria das gerais!
Olá, Colorados!

É com grande alegria e satisfação que hoje compartilho com vocês esse novo projeto. "Guria da Gerais" foi um apelido carinhoso que ganhei de uma grande amiga do sul e me inspirou a realizar essa mudança. Foram quatro anos de história do "Inter & Nilmar - 2 Paixões" e tenho muito orgulho de ter construído tudo isso. Como tudo tende a crescer, a mudança era necessária e fiquei muito feliz pelo apoio que recebi de todos os colorados. Gostaria de agradecê-los pelos quatro anos juntos e dizer que o blog tem cara nova, mas o velho fanatismo em palavras continua. Para quem já me conhece e conhece a minha história, seja bem vindo (a) novamente. Para quem ainda não me conhece, convido a ler a minha história e compartilhar comigo essa nova etapa.

Todos os momentos de nossas vidas são marcados por data e lugar. O momento mais marcante que vivi também tinha. Era o dia 20 de Maio de 2009. O lugar é a minha casa mesmo, em Barbacena, Minas Gerais. Mas o meu coração encontrou outro para dividir a minha vida - o Gigante da Beira-Rio.

A minha história já foi lida e ouvida por muitas pessoas, e agora eu a conto mais uma vez.

Dia 20 de Maio de 2009, quarta-feira. Cursava a 8ª série, com meus 14 anos problemáticos em matemática. Provavelmente em minha turma, falaram do jogo que sem querer eu acabaria assistindo. Eu nunca liguei para futebol, exceto os jogos da seleção que eu via só na Copa do Mundo. Parece que é dever de todo brasileiro assistir aos jogos da seleção. Eu cumpria minha parte do contrato canarinho – pelo menos nos mundiais.

Uma quarta-feira normal, se não fosse pela surpresa que teria que mudaria minha vida, de segunda a segunda. Havia aula na quinta-feira, mas por algum motivo – que me falha a memória – não fui dormir cedo como de costume. Por volta das 23h30 desse dia, passei em frente ao quarto do meu irmão, Alexandre. Seguia rumo ao banheiro, mas ele desviou meu caminho ao gritar, desesperado: “Jéssica, senta aqui e me ajuda a torcer pro Inter fazer um gol”. Olhei para ele, confusa e pensei: “Torcer pra quem?”.

De nada mais me lembro da conversa. Só sei que me sentei ao lado de meu irmão – fanático torcedor do Internacional de Porto Alegre – e comecei a assistir os 15 minutos finais do jogo entre Inter e Flamengo, pelas quartas de finais da Copa do Brasil, no estádio Beira-Rio. Meu irmão apenas tinha dito que o tal Inter tinha que fazer um gol de qualquer jeito. Fiquei ali ao lado dele, assistindo à sua aflição e sua crença.

Num relance, observei o que a TV mostrava com tamanha precisão – um estádio lotado, explodindo torcedores trajados de vermelho cantando sem parar. Não sei o que pensei. Olhei para o lado e ali estava meu aflito irmão vestido de vermelho e branco. Sim, ele fazia parte daquilo tudo. De repente ele gritou: “Falta!”. Não foi um grito comum e sim um grito desesperadamente forte e necessário, como se meu irmão sofresse uma angustiante e dolorosa espera. Juntou as mãos e rezou baixinho: “É agora, é agora”. Olhei para a TV e ao fundo todos torcedores repetiam o gesto. Pensei comigo: “Isso é torcer?”. Não, aquilo era acreditar. 

O encarregado de bater a falta era Andrezinho. Acredito que enquanto ele se preparava, o estádio ficava mais silencioso. Quando enfim, ele cobrou e a bola começou a flutuar, o Beira-Rio se calou completamente. Era a última chance de o tal gol sair. E lá no ângulo, ela, bola, linda e redonda foi entrar, fazendo um Beira-Rio explodir pela sofrida espera. Era gol. O gol da classificação. 

Meu irmão gritava, pulava, chegou até a beijar a tela da TV. Soltei um sorriso. Dentro de mim, naquele instante, brotava – verde como grama de estádio – um sentimento. Surgia em meu coração a inexplicável paixão pelo futebol. Gritei e vibrei junto. Abracei meu irmão, que dizia sem parar: “Eu sabia, eu sabia!”. O Beira-Rio em coro começou a cantar para o mundo sua alegria. Se meu irmão sabia, eu não fazia ideia de nada ali. 

Fim de jogo. Minha mãe querendo dormir, foi no quarto onde estávamos e se espantou ao me ver acordada à meia-noite. Ela me olhou intrigada e disse: “Você está vendo jogo?”. Não sei o que respondi a ela. Sei que aquilo era tudo, menos um jogo comum. 

Fui dormir com uma sensação extremamente diferente. Não sabia definir. Ao deitar minha cabeça no travesseiro eu estava… Feliz! O sorriso em meu rosto era a prova da magia do futebol – é única. 

Não tenho em mente muito do que foram os dias que procederam à partida, mas na escola todos falavam do jogo de quarta. Grupinhos de garotos conversavam sobre o gol de Andrezinho. Entrei no meio do papo de alguns amigos meus e disse que tinha visto o gol de falta. Por um momento me senti parte de um grupo privado, do qual jamais estivera antes. 

Tempos depois me questionaram sobre o time pelo qual eu torcia. Pensei no vermelho que via ao olhar para o céu depois daquele gol de Andrezinho. Respondi: “Eu torço pelo Inter… é para o Inter”. 

Aos poucos, ganhei um sobrenome novo. Não era mais ‘Jéssica Loures’ e sim ‘Jéssica Colorada’. O vermelho e branco tomava conta da minha vida. Meus domingos jamais seriam como antes. Acostumaria-me a dormir à meia-noite todas as quartas ou quintas e ao deitar a cabeça no travesseiro eu estaria sempre feliz. 

A cada jogo que passava, eu aprendia e me encantava cada vez mais. Meu irmão Alexandre diz que eu sou assim – torcedora fanática – por culpa de Andrezinho. E como sou grata ao meu irmão e a Andrezinho! 

Hoje sou estudante de jornalismo e desejo seguir a área esportiva. Tudo isso por causa do Inter.

Imagine agora se meu irmão não tivesse me chamado naquele dia. Imagine se eu não tivesse ido a seu encontro e sentado a seu lado. Bom, eu não estaria contando essa história. Não estaria mesmo, pois sei que não haveria outro momento para aquilo acontecer. 

Posso dizer com todas as letras, que aquele jogo mudou completamente a minha vida. Mesmo morando longe de Porto Alegre, meu coração lá está, sempre ao lado daqueles que admiro com uma intensidade inimaginável. Com o futebol aprendo coisas que levarei para toda a vida. Com o Inter é impossível não ser feliz. 

Na mesma proporção que eu sorri eu chorei, e é assim até hoje. Nunca imaginei ser tão forte e intenso. Jamais pensei que seria tão apaixonada por futebol. E toda essa paixão incondicional já dura cinco anos. Já vivi muitos altos e baixos, e mesmo diante das derrotas humilhantes, das eliminações difíceis e dos infinitos problemas internos do clube – que sempre nos afetam – nunca perdi as esperanças. Pensar em dias melhores é algo que faço sempre nos tempos difíceis, pois sei que a força do meu time não vem desse mundo. 

Sinto-me feliz e abençoada a cada novo dia. O futebol se tornou algo muito especial para mim. Hoje sou Internacional e morrerei Internacional. Apesar de tudo, não me arrependo desse amor. 

Jéssica Loures, a Guria das Gerais

19 comentários:

  1. Muito bom! Me identifiquei com a tua história, em partes, porque comecei a torcer pelo Inter em 2009 também, e em uma quarta feira "comum". E, se teu irmão diz que começaste a torcer por causa do Andrezinho, o meu motivo foi o Nilmar rs. Bom, no fundo a gente sabe que o jogador foi apenas uma ponte de ligação entre a gente e o clube, e que não há como resistir à magia do Beira Rio. Adorei a tua história, saudações Coloradas!

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  2. Olá Jessica. Me fizeste chorar com seu depoimento. Eu estava atrás daquele gol neste dia que foi emocionante demais. Acabei me tornando conselheiro e Diretor do Inter. Obrigado pelo seu Amor pelo nosso clube.

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  3. Olá colorada muita linda essa história sua como começou a torcer para o nosso colorado.

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  4. Show de bola! Lindo texto, que termos você ao nosso lado uai!!

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  5. Seja muito bem vinda Jéssica coração coloraaaaado... É assim mesmo, uma magia, de repente nos tornamos vermelhos ou já nascemos né tchê... Abração

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  6. Seja muito bem vinda Jéssica coração coloraaaaado... É assim mesmo, uma magia, de repente nos tornamos vermelhos ou já nascemos né tchê... Abração

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  7. Eu estava lá nesse jogo e fiquei sem reação na hora do gol. Acordei do "transe" abraçado nos meus amigos, comemorando.
    Muito legal sua história. Ela dá um exemplo claro de que a paixão pelo
    futebol não tem data nem local pra acontecer. E quando ela chega, não
    tem mais volta.
    Fiquei com uma dúvida. De onde veio o Coloradismo de seu irmão?

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  8. Olá, agradeço pelas palavras. Meu irmão conta que foi paixão a primeira vista, como eu. Só que ele é colorado desde mais novo, quando decidiu que não queria torcer pelo Cruzeiro ou Atlético-MG só por ser mineiro. O Inter contagiou a nós dois com seu vermelho sangue.

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  9. Eu estava nesse jogo e ja havia ido embora do estádio...mas voltei correndo quando começaram a comemorar nos bares da frente do beirario na av padre cacique, foi uma vibração louca!!!!

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  10. Me identifiquei bastante com o seu texto. Eu nasci e moro em Taubaté, interior de São Paulo e no meio dos 4 times grandes daqui eu escolhi torcer para o Internacional. Comecei a ver futebol em 2008 e sofria uma pressão familiar pra torcer pro São Paulo, acabei até torcendo mas o time nunca me ganhou de verdade. Lá por 2009 eu comecei a gostar do Inter e sempre via os jogos do time quando eram transmitidos por aqui (raramente) e comecei a torcer pros dois times. Isso durou até a semi-final da Libertadores 2010, exatamente no dia 5 de julho, em que o Inter jogou justamente contra o São Paulo. Diante daquele jogo eu vi mesmo que o time que eu gostava era o Inter e não o São Paulo, e troquei de lado "oficialmente". Resultado: já são 7 anos acompanhando o Inter e mesmo nessa situação difícil em que o time se encontra o amor só cresce.

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  11. historia emocionante como o nosso inter

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  12. Muito legal tua história, descreveste com perfeição o gol do Andrézinho, tenho mais tempo de estrada, mas a paixão é a mesma, parabens.

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  13. Tua história se assemelha com a da minha esposa, até o começo de 2010 ela era flamenguista, e moramos em Brasília onde os times do RJ e de SP predominam entre os torcedores daqui. Mas ela começou a me acompanhar ao assistir alguns jogos do colorado, e ela foi criando uma paixão inexplicável, pois ela torcia para o flamengo mas não acompanhava os jogos, mas ao ver a minha paixão pelo INTER aquilo foi mexendo com ela, então em 20 de Setembro de 2010 (dia do seu aniversário) eu a levei em uma tradicional loja de camisas de futebol de Brasília para lhe comprar uma camisa do Flamengo, e ela me disse que não poderia mais vestir uma camisa do Flamengo, pois ela havia se apaixonado por um certo time do sul do país que usa vermelho e branco, e ali começou uma paixão por esse time que encanta em tudo, com um estádio que tem alma, uma torcida sem igual, e jogadores que amam vestir essa camisa vermelha e branca, a ponto de sairmos de moto de Brasília para Goiânia (cerca de 180km) para simplesmente ver nosso time jogando pessoalmente, onde ali foi o seu primeiro encontro com Inter, de lá para cá muitos jogos se passaram, idas a Goiânia (Não mais de moto), Minas e claro a casa de todo colorado, o nosso lindo GIGANTE DA BEIRA-RIO.

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  14. Eu estava naquele estádio, naquele jogo, acreditando até o último minuto. Quando Andrezinho pegou distância para bater na bola todo beira rio gritava "- Gol, gol , gol , gol", até que ele bateu, se fez aquele silêncio no ar, quando a bola explodiu no fundo da rede, o estádio quase veio abaixo. Vou direto ao beira rio, e momentos como aquele sempre ficam marcados. Pena você não estar mais perto, para vivenciar isso de dentro do gigante. Parabéns pela excelente descrição desse sentimento que é ser colorado(a).

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  15. A propósito, linda, inteligente e colorada.

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  16. Eu estava naquele estádio, naquele jogo, acreditando até o último minuto. Quando Andrezinho pegou distância para bater na bola todo beira rio gritava "- Gol, gol , gol , gol", até que ele bateu, se fez aquele silêncio no ar, quando a bola explodiu no fundo da rede, o estádio quase veio abaixo. Vou direto ao beira rio, e momentos como aquele sempre ficam marcados. Pena você não estar mais perto, para vivenciar isso de dentro do gigante. Parabéns pela excelente descrição desse sentimento que é ser colorada.

    ABS: Linda, inteligente e colorada, combinação perfeita.

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