terça-feira, 5 de julho de 2016

Voltando à realidade

É pedir muito um futebol digno de série A? | Foto: Ricardo D.
Meu último texto, de três semanas atrás, demonstrava meu (desaparecido) otimismo após a partida contra o Atlético-MG, em que o Inter convenceu a todos torcedores e jornalistas de que poderia sim ser campeão. Intitulado de "Assim se faz um campeão", o texto inocente de uma torcedora apaixonada dá lugar à realidade em que fomos inseridos nos últimos jogos. Meu otimismo não passou de alegria após um jogo atípico, como todos os anteriores. 

Enquanto ouvia o grenal do último domingo, percebi que fomos apenas abençoados com sorte nas primeiras rodadas do campeonato, pois se avaliarmos bem, o Inter não possui um time que joga futebol. Um gol ali, outro aqui e pronto, tínhamos pontuação de líder. De repente, o Rio Grande do Sul começou a acreditar no trabalho de Argel e daqui de minas eu queimava minha língua. Pensava: "Não é possível que um treinador tão fraco vá conseguir fazer com que o Inter seja campeão brasileiro". De fato, não vai.

Por mais que ainda exista quem defenda o trabalho de Argel, retomo às minhas antigas afirmações de que um trabalho de quase um ano que não rende nada mais do que uma taça de estadual não deve ser grande coisa. Inclusive, não é. Um treinador que não sabe escalar um time não é bom treinador e quanto a isso não há discussões.

Obviamente, seria burrice jogar toda a culpa das atuações medíocres do Inter nos ombros de Argel. Afinal, ele não se contratou sozinho, não é ele quem negocia jogadores e traz reforços. Píffero e Pellegrini são também grandes culpados da história. Culpados de mais uma era de desastres previsíveis.

Paulão afirma que a culpa da má fase é dos jogadores. O Inter não passa por uma má fase, meu caro. A sorte só acabou. O único jogo em que vi o Inter jogar FUTEBOL foi no jogo contra o Galo Mineiro e mesmo assim foi um jogo atípico em que o adversário estava praticamente todo desfalcado. 

Temos um ELENCO, com jogadores em sua maioria jovem, que precisam de um referencial, que precisam de confiança. Temos um TIME desorganizado e muito mal treinado. Temos um CLUBE mal dirigido, que joga fora todas as chances de continuar crescendo. E sim, temos uma TORCIDA extremamente passiva que engole essas atuações medíocres e segue apoiando jogadores como Anderson. Tudo que sinto é vergonha.

Perder o grenal dentro de um Beira-Rio lotado foi só mais um dos vexames a que somos expostos diariamente. Vencer o clássico não resolveria nossos problemas, só provaria que a sorte andava ao nosso lado a todo tempo, fazendo com que vencêssemos adversários um pouco superiores jogando um futebol inferior.

Não foi necessário uma goleada gremista para acordar o torcedor, a imprensa, ou até mesmo eu que sempre vejo tudo com os olhares mais críticos. Foi necessário apenas um gol do grêmio e um adversário mais organizado para rasgar as vendas que tapavam os olhos do torcedor. 

No Rio Grande do Sul, a coisa só fica feia quando se perde para o rival. Perder para Figueirense, empatar com Coritiba, perder vergonhosamente para Botafogo e Flamengo não foi nada demais. Perder para o grêmio é que é realmente um desastre. Me poupem.

Estarmos fora do G-4 não é um absurdo, absurdo é estarmos em 5º lugar. Se o deus do futebol fosse justo e houvesse um campeonato com times um pouco melhores, estaríamos brigando para não cair. Quem discordar infelizmente não sabe nada de futebol. O futebol que o Inter joga não é nem digno de série A.

Acordem. Apenas acordem.

2 comentários:

  1. Parabéns Jéssica, como sempre um texto perfeito,que resume exatamente a situação do nosso clube.

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  2. Jéssica, vi esse texto lá no blog Esquemão http://wp.clicrbs.com.br/esquemao/2016/06/22/inter-e-gremio-com-folego-de-g4/?topo=52,1,1,,171,e171 e achei interessante, porque não conhecia esse dado de "ações de jogo". E levando isso em conta, nossos resultados estavam muito acima daquilo que vínhamos desempenhado. Estamos apenas voltando ao normal.

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